Texto de nova Lei Rouanet prevê renúncia fiscal menor.
São Paulo - Chega hoje à Câmara dos Deputados o texto definitivo do Projeto de Lei (PL) que cria a nova Lei Rouanet (8313/91), o maior mecanismo de incentivo cultural do País. O projeto traz algumas inovações que são polêmicas, como a extinção do teto de 100% de renúncia fiscal (agora são apenas três faixas de dedução, 40%, 60% e 80%), o que imporá aos patrocinadores um investimento mínimo de pelo menos 20%. Pelo PL, todas as áreas da cultura podem obter a faixa máxima de renúncia.
O Ministério da Cultura (MinC), que trabalhou a proposta com a Casa Civil, lançou ontem uma cartilha com as principais modificações que serão apresentadas. O texto fala em "adoção de critérios públicos de uso dos recursos" e promete cumprir rigorosamente os prazos na avaliação de projetos. Hoje, a avaliação é deficiente. Outro ponto que se destaca é a criação de um "escritório público de financiamento à cultura". Produtores temem que essa medida seja um prenúncio da recriação dos famosos "balcões" de favores do passado.
A cartilha informa a criação de sete novos fundos setoriais - Artes Visuais, Artes Cênicas, Música, Acesso e Diversidade, Patrimônio e Memória , Livro, Leitura, Literatura e Humanidades e Ações Transversais e Equalização. Haverá mecanismos para descentralizar a renúncia fiscal, hoje concentrada no Sudeste.
Na atual Lei Rouanet, parte do Imposto de Renda devido por empresas e pessoas físicas pode ser aplicada para o financiamento de atividades culturais. Pessoas físicas podem abater 6% do imposto devido e pessoas jurídicas, 4%. Na nova lei, a renúncia fiscal não será mais o principal mecanismo - o novo Fundo Nacional de Cultura, de incentivo direto, adquirirá maior importância, e terá já para o ano de 2010 cerca de R$ 800 milhões, afirma o MinC. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Enviado por Rachel de Queiroz.

"A arte de ser avó."
Netos são como heranças, você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu... É como dizem os ingleses, um Ato de Deus. Sem se passarem as penas do amor, sem os compromissos do matrimônio, sem as dores da maternidade trata-se de um filho apenas suposto. O neto é, realmente, o sangue do seu sangue, filho do filho, mais filho que filho mesmo... Cinqüenta anos, cinqüenta e cinco... Você sente, obscuramente, nos seus ossos, que o tempo passou mais depressa do que esperava. Não lhe incomoda envelhecer, é claro. A velhice tem suas alegrias, as suas compensações: todos dizem isso, embora você, pessoalmente, ainda não as tenha descoberto, mas acredita. Todavia, também obscuramente, também sentia seus ossos, às vezes lhe dá aquela nostalgia da mocidade.
Não de amores com suas paixões: a doçura da meia-idade não lhe exige essa efervescência. A saudade é de alguma coisa que você tinha e que lhe fugiu sutilmente junto com a mocidade. Bracinhos de criança. O tumulto da presença infantil ao seu redor. Meu Deus, para onde foram as suas crianças?
Naqueles adultos cheios de problemas que hoje são os filhos, que tem sogro e sogra, cônjuge, emprego, apartamento e prestações, você não encontra de modo algum as suas crianças perdidas. São homens e mulheres adultos; não são mais aqueles que você recorda.
E então, um belo dia, sem que lhe fosse imposta nenhuma das agonias da gestação ou do parto, o doutor lhe coloca nos braços um bebê. Completamente grátis, nisso é que está a maravilha. Sem dores, sem choros, aquela criancinha da qual você morria de saudades, símbolo ou penhor da mocidade perdida. Pois aquela criancinha, longe de ser um estranho, é um filho seu que lhe é devolvido. E o espantoso é que todos lhe reconhecem o seu direito de o amar com extravagância. Ao contrário, causaria espanto, decepção se você não o acolhesse imediatamente com todo aquele amor recalcado que há anos se acumulava, desdenhado, no seu coração.
Sim, tenho certeza de que a vida nos dá netos para nos compensar de todas as perdas trazidas pela velhice. São amores novos, profundos e felizes, que vêm ocupar aquele lugar vazio, nostálgico, deixados pelos arroubos juvenis.
É quando vai embalar o menino e ele, tonto de sono abre o olho e diz: Vó, seu coração estala de felicidade, como pão no forno!
Rachel de Queiroz foi a primeira mulher a entrar na Academia Brasileira de Letras. Escritora cearense, ela morreu em novembro de 2003, aos 92 anos de idade, deixando dois netos postiços - filhos da irmã mais nova. Leia mais sobre ela no site "Releituras"
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Vocês não podem se esquecer deste nome: ALVAR NUÑEZ CABEZA DE VACA!...

'Sempre um Papo' lança “Cabeza de Vaca”, de Paulo Markun
November 26th 2009 in Notas
Paulo Markun lança, pelo Sempre um Papo, o livro “Cabeza de Vaca”, que relata as incríveis peripécias do conquistador espanhol Álvar Núñez Cabeza de Vaca. Sobrevivente de três naufrágios na América do Norte, a história do aventureiro conta ainda com dez anos de vivência entre índios, milhares de quilômetros percorridos a pé e a sua consagração como um mítico curandeiro. O lançamento acontece dia 1º de dezembro, terça-feira, às 19h30, na Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes.
O Sempre Um Papo é uma realização conjunta do Jornal Estado de Minas, com o apoio cultural da Rádio Guarani.
Álvar Núñez Cabeza de Vaca foi tão ousado e persistente quanto seus contemporâneos Cristóvão Colombo, Fernão de Magalhães, Hernán Cortés e Francisco Pizarro. Pode ter tido menos fortuna e reconhecimento, se comparado a esses homens que mudaram o mapa do mundo, mas não lhe faltou sorte. Seu jogo de cintura, aliado a sinais da cruz, um grilo e um temporal, lhe permitiu escapar da morte diversas vezes, vivendo o suficiente para eternizar sua história singular.
Neto de um grande guerreiro, o fidalgo espanhol deixou sua casa em Jerez de la Frontera quando adolescente, para se tornar soldado profissional. Lutou na Itália e foi gravemente ferido. Recuperado, serviu como camareiro de um duque e envolveu-se em incidentes picantes. Depois de combater um movimento rebelde, embarcou rumo à Flórida, na condição de tesoureiro real. Foi o início de uma odisseia.
A história é mesmo surpreendente: Cabeza de Vaca sobreviveu a três naufrágios, curou centenas de índios, atravessou, nu e descalço, parte dos atuais Estados Unidos e México, voltou à Espanha e obteve um cargo como recompensa por suas desditas. Depois de nova viagem, tomou posse de Santa Catarina, na condição de seu primeiro governador. Mas não sossegou: atravessou a pé o território brasileiro, chegando a Assunção. Dali, partiu novamente em busca de uma serra misteriosa, feita de prata, até ser imobilizado pela malária num pequeno forte no meio do nada. Ao retornar à cidade, foi deposto por seus opositores. Passou quase um ano numa cela úmida e voltou para casa como traidor e prisioneiro, quando um terrível temporal mudou sua sorte mais uma vez.
Para reconstituir essa história fantástica, Paulo Markun cotejou a obra autobiográfica de Cabeza de Vaca com os depoimentos de mais de uma centena de testemunhas ouvidas em vários processos judiciais na Espanha. Confirmando ou desmentindo as afirmações do protagonista e de seu secretário particular nos Naufrágios e Comentários — obras pioneiras da literatura de viagens —, o autor recupera a saga desse conquistador cuja vida atribulada e cercada pelo mito é ainda larga e injustamente ignorada.
Paulo Markun nasceu em São Paulo, em 1952. Finalista do prêmio Jabuti por duas vezes, trabalhou nos principais jornais e emissoras de TV do país.
Apresentou durante mais de dez anos o programa Roda Viva, até 2007, quando assumiu a presidência da Fundação Padre Anchieta, mantenedora das rádios e da TV Cultura. Cabeza de Vaca é seu 12º livro e o primeiro pela Companhia das Letras.
Título: “Cabeza de Vaca”
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
DYLAN MARLAIS THOMAS:poeta galês.

"EM MEU OFÍCIO OU ARTE TACITURNA".
Em meu ofício ou arte taciturna
Exercido na noite silenciosa
Quando somente a lua se enfurece
E os amantes jazem no leito
Com todas as suas mágoas nos braços,
Trabalho junto à luz que canta
Não por glória ou pão
Nem por pompa ou tráfico de encantos
Nos palcos de marfim
Mas pelo mínimo salário
De seu mais secreto coração.
Escrevo estas páginas de espuma
Não para o homem orgulhoso
Que se afasta da lua enfurecida
Nem para os mortos de alta estirpe
Com seus salmos e rouxinóis,
Mas para os amantes, seus braços
Que enlaçam as dores dos séculos,
Que não me pagam nem me elogiam
E ignoram meu ofício ou minha arte.
(tradução: Ivan Junqueira)
domingo, 6 de dezembro de 2009
VITÓRIA DO FLAMENGO NO BRASILEIRÃO!...

Mengo vence o Brasileirão em rodada suada.Venceu o Grêmio por 2 a 1!
Quatro times poderiam conquistar o título, neste domingo, mas o Flamengo é o que tinha mais chances.
REDAÇÃO ÉPOCA
A torcida comemora a vitória no Maracanã. Tinha até sósia de Obama (à esq.)O Flamengo foi o grande vencedor do Campeonato Brasileiro de 2009. É seu sexto título, depois de um jejum de 17 anos. Num domingo em que quatro times tinham chances, maiores ou menores, de ganhar, a equipe carioca conseguiu o trunfo. É a primeira vez, desde que o campeonato adotou pontos corridos no lugar das chaves, que a última rodada é tão importante para o resultado final. Desde 2003, quando houve a mudança, o São Paulo ganhou o Brasileirão três vezes consecutivas (Cruzeiro, Santos e Corinthians venceram em 2003, 2004 e 2005, repectivamente). Existe até uma crítica muito difundida que diz que os pontos corridos só favorecem o time do Morumbi. A vitória do Flamengo neste domingo contradiz isso. E vai contra aqueles que dizem que o sistema de pontos corridos tirou as finais, a parte mais eletrizante no campeonato. Este domingo provou o contrário.
Saiba mais
»Quem vai vencer o Campeonato Brasileiro?
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»Dez barrigas da história do futebol brasileiro
Os jogos foram tensos. Os brasileiros tiveram que prestar atenção a quatro jogos diferentes. Os jogadores, além de apresentarem bom resultado nos jogos, olhavam para os adversários, na esperança de que eles fossem mal. O Grêmio chegou para jogar de verdade contra o Flamengo, sem entregar o jogo. O placar foi de 2 a 1 para o time carioca, mas ficou empatado em 1 a 1 durante algum tempo, deixando o troféu escorrer para as mãos do Inter até os 24 minutos do segundo tempo. O colorado saiu na frente do Santo André desde o início e fechou o placar em 4 a 1. Palmeiras, que esteve à frente na tabela durante algum tempo, teve o jogo mais frustrante, contra o Botafogo: perdeu de 1 a 0. O São Paulo goleou o Sport por 4 a 0. Coritiba, Santo André, Náutico e Sport foram rebaixados.
O Flamengo era o time com mais chances de levar o troféu para casa. Se perdesse do Grêmio, e o Internacional ganhasse do Santo André, o Inter é que venceria o campeonato. Um conflito para os colorados: torcer para seu maior adversário vencer, o que garantiria parte de sua vitória. Pior para os gremistas: se ganhassem o jogo, ajudariam o inimigo colorado a ganhar o campeonato. Uma confusão.
O Palmeiras era o terceiro com chance de sagrar-se campeão em 2009. Bastava que Mengo e Inter perdessem, e os alviverdes vencessem o jogo contra o Botafogo. O São Paulo, "grande beneficiado" dos pontos corridos, segundo seus adversários, só ganharia se todos os três perdessem e ele vencesse o Sport - tarefa esta que não seria difícil, uma vez que o time de Recife já estava rebaixado. O tricolor paulista ao menos já estava com a vaga na Libertadores do ano que vem praticamente garantida.
MAIS UMA OBRA INÉDITA DE DAN BROWN!...

'O símbolo perdido', novo romance de Dan Brown, é elogiado pelo NYT: 'Impossível largar a leitura'...
SÃO PAULO - Com lançamento previsto no Brasil para 4 de dezembro e tiragem inicial de 400 mil exemplares, o novo livro de Dan Brown, "O símbolo perdido" (Sextante), chegou às livrarias dos EUA cercado de mistérios. Alguns deles começaram a ser desvendados depois da crítica do "The New York Times". O jornal publicou no fim de semana uma resenha bastante favorável ao livro, sequência dos bestsellers "Anjos e demônios" (2000) e "O código Da Vinci" (2003).
Na nova saga, o simbologista Robert Langdon é acompanhado da pesquisadora Katherine Solomon - estudiosa das conexões entre corpo e mente - em uma busca que envolve os segredos da maçonaria. Tudo se passa em Washington, onde alguns destes segredos estão escondidos e codificados na arquitetura.
Além do enredo, a dúvida central sobre o livro é se Dan Brown conseguiria se superar. "No momento, sua própria fórmula está esgotada por tantas cópias", avalia o artigo do NYT. Além disto, muitos autores populares, como Thomas Harris, autor de "O silêncio dos inocentes", não conseguiram superar o sucesso de seu primeiro livro. "O senhor Brown não fez isso. Ao contrário, ele conseguiu trazer a vida de volta a um gênero agonizante", afirma a crítica do jornal americano.
Em alguns momentos, "O símbolo perdido" parece um clone dos romances anteriores. Há uma cena bizarra em um lugar famoso (o Capitólio, não o Louvre), mais teorias da conspiração e um personagem estranho (um musculoso tatuado, não um monge albino), que lembra muito um vilão de histórias em quadrinhos.
Mas apesar das semelhanças, "O símbolo perdido" conquista o leitor do começo ao fim. "No universo hermético do livro, a motivação dos personagens não precisa fazer sentido, apenas tem que gerar ação, o que faz impossível largar a leitura", afirma a crítica.
OUTRO EGITO...

Os segredos dos faraós
É possível explorar a mística do Egito longe da multidão de turistas.
Andres Vera
Um grupo de beduínos diante das Pirâmides de Gizé. O passeio exclusivo inclui refeição com uma família localAs portas do Museu Egípcio, no Cairo, abrem-se às 9 horas da manhã. Enquanto os visitantes comuns esperam diante de uma imponente fachada neoclássica, um grupo de privilegiados aproveita o interior sem pressa – e com informações aprofundadas. Alguns são historiadores. Outros, turistas que se cansaram dos roteiros tradicionais, apinhados de gente. Eles sabem que a mística do Egito não está no turismo de massa.
Encarar uma múmia com mais de 3 mil anos é uma experiência única. E melhor ainda se você não estiver sendo perturbado por uma horda barulhenta. A agência Abercrombie & Kent oferece essa possibilidade: acesso exclusivo a algumas das maiores relíquias do Egito, caso da tumba intacta do faraó Tutancâmon, que reinou de 1333 a 1323 a.C.
Seja qual for o roteiro, o ponto de partida é o mesmo: as Pirâmides de Gizé, a Esfinge e o Templo de Ramsés II. Óbvio demais? O passeio continua com uma visita exclusiva à tumba da rainha Nefertari, a maior do Vale das Rainhas. O público geral normalmente não tem acesso ao local. As paredes dessa tumba têm hieroglifos com instruções para alcançar a vida após a morte. Para aprender mais sobre a fascinante religião do Egito Antigo, o turista também viaja para Abydos, antigo centro de uma cidade dedicada a Osiris, o deus egípcio da morte. Sinagogas históricas e antigas criptas do tempo dos romanos também fazem parte do roteiro, sempre com um egiptólogo à disposição. A imersão no mundo egípcio fica completa com um passeio pelo Rio Nilo numa felucca, antiga embarcação a vela, e um jantar na casa de uma família local. É outro Egito.
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